
a forma da luz
apontamentos
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Antero de Quental: "Tormento do ideal"
Tormento do ideal
Conheci a Beleza que não morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,
Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre:
Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
Perder a cor, bem como a nuvem que erra
Ao pôr do sol e sobre o mar discorre.
Pedindo à forma, em vão, a ideia pura,
Tropeço, em sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.
Recebi o baptismo dos poetas,
E, assentado entre as formas incompletas
Para sempre fiquei pálido e triste.
QUENTAL, Antero de. "Tormento do ideal". In:_____. Sonetos. Org. por António Sergio. Lisboa: Sá da Costa Editora, 1963.
Conheci a Beleza que não morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,
Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre:
Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
Perder a cor, bem como a nuvem que erra
Ao pôr do sol e sobre o mar discorre.
Pedindo à forma, em vão, a ideia pura,
Tropeço, em sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.
Recebi o baptismo dos poetas,
E, assentado entre as formas incompletas
Para sempre fiquei pálido e triste.
QUENTAL, Antero de. "Tormento do ideal". In:_____. Sonetos. Org. por António Sergio. Lisboa: Sá da Costa Editora, 1963.
Aula 11: Processamento de listas
Northern Lights and Noctilucent Clouds
quarta-feira, 20 de junho de 2018
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O títular
Vivia fora de Lisboa, em quinta de casa apalaçada. Andava de anel de brasão, sempre a alardear uma suposta linhagem, a importância de um título qualquer que dizia que herdara. Quando se dignava vir à capital, chegava sempre atrasado a tudo para que era convidado.
Um dia, alguns seus conhecidos interrogaram-se sobre aquele vício de falta de educação, muito desrespeitoso para com os outros. Foi então que alguém revelou: é que ele nunca usa auto-estradas, anda sempre por vias secundárias e, por isso, gasta mais tempo. Mas porquê? Para não pagar portagens? Nada disso, explicou a pessoa. Porque, um dia, viu numa portagem ”Retire o título” e, claro, recusou!
Publicado por Francisco Seixas da Costa
https://duas-ou-tres.blogspot.com/2018/06/o-titular.html
Pillars of the Eagle Nebula in Infrared
Image Credit: NASA, ESA, Hubble, HLA; Processing: Lluís Romero
Explanation: Newborn stars are forming in the Eagle Nebula. Gravitationally contracting
terça-feira, 19 de junho de 2018
Unagi / A Enguia
Comovente drama que dividiu a Palma de Ouro em Cannes/97 com O Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami. Takuro, depois de passar oito anos na prisão por ter assassinado a esposa, começa uma nova vida numa pequena cidade, nos subúrbios de Tóquio, trabalhando como barbeiro. A sua grande companheira é uma enguia, que ele manteve na sua cela durante o período em que esteve preso. Aos poucos, ele começa a adaptar-se, tornando-se amigo dos moradores locais que frequentam a sua loja.No entanto a sua vida só muda radicalmente quando ele salva Keiko, uma jovem mulher que ele encontra tentando suicidar-se no rio próximo da sua barbearia. Keiko, também tentando esquecer seu sofrimento, começa a trabalhar na loja de Takuro, o que leva a uma crescente atracção entre ambos. Contudo, alguns incidentes ocorrem, arrastando-os de volta ao passado.
Interpretação
Realização
Joseph P. Kennedy, father of President Kennedy, reputedly instructed his children,
“When the going gets tough, the tough get going.”
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Ancients of Sea and Sky
Image Credit & Copyright: Jingyi Zhang
segunda-feira, 18 de junho de 2018
O Gigante Enterrado - Kazuo Ishiguro
Descrição do livro
O Gigante Enterrado – Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova – será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une?
Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, “O gigante enterrado” fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.
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domingo, 17 de junho de 2018
Hippie
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Quem quer aprender magia deve começar olhando à sua volta. Tudo o que Deus quis dizer ao ser humano colocou bem na sua frente, a chamada Tradição do Sol.
A Tradição do Sol é democrática — não foi feita para os estudiosos ou puros, mas para as pessoas comuns. O poder está em todas as pequenas coisas que fazem parte do caminho de um homem; o mundo é uma sala de aula, o Amor Supremo sabe que você está vivo e vai lhe ensinar.
A Tradição do Sol é democrática — não foi feita para os estudiosos ou puros, mas para as pessoas comuns. O poder está em todas as pequenas coisas que fazem parte do caminho de um homem; o mundo é uma sala de aula, o Amor Supremo sabe que você está vivo e vai lhe ensinar.
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mas uma frase da Bíblia, mais precisamente do Livro de Jó, não saía de sua cabeça: “O que eu mais temia me aconteceu”.
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Mas a natureza tem um ciclo que se repete na alma do ser humano: a planta produz a flor para que as abelhas venham e possam criar o fruto. O fruto produz sementes, que de novo se transformam em plantas, que outra vez fazem as flores desabrocharem, que chamam as abelhas, que fertilizam a planta e fazem com que produza frutos e assim até o final da eternidade.
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Entendia melhor as palavras de Krishna ao guerreiro Arjuna, antes da batalha. Não era exatamente o que estava escrito no livro, mas em sua alma:
Lute porque é preciso lutar, porque você está diante de um combate.
Lute porque você está em harmonia com o universo, com os planetas, os sóis que explodem e as estrelas que encolhem e se apagam para sempre.
Lute para cumprir seu destino, sem pensar em ganhos ou lucros, em perdas ou estratégias, em vitórias ou derrotas.
Não busque gratificar a si mesmo, mas ao Amor Maior que nada oferece além de um contato breve com o Cosmos e para isso pede um ato de devoção total — sem questionamentos, sem perguntas, amar pelo ato de amar e nada mais.
Um amor que não deve a ninguém, que não é obrigado a nada, que se alegra simplesmente pelo fato de existir e poder se manifestar.”
Lute porque é preciso lutar, porque você está diante de um combate.
Lute porque você está em harmonia com o universo, com os planetas, os sóis que explodem e as estrelas que encolhem e se apagam para sempre.
Lute para cumprir seu destino, sem pensar em ganhos ou lucros, em perdas ou estratégias, em vitórias ou derrotas.
Não busque gratificar a si mesmo, mas ao Amor Maior que nada oferece além de um contato breve com o Cosmos e para isso pede um ato de devoção total — sem questionamentos, sem perguntas, amar pelo ato de amar e nada mais.
Um amor que não deve a ninguém, que não é obrigado a nada, que se alegra simplesmente pelo fato de existir e poder se manifestar.”
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Jorge Luis Borges: "a un viejo poeta" / "a um velho poeta"
A un viejo poeta
Caminas por el campo de Castilla
y casi no lo ves. Un intrincado
versículo de Juan es tu cuidado
y apenas reparaste en la amarilla
puesta del sol. La vaga luz delira
y en el confín del Este se dilata
esa luna de escarnio y de escarlata
que es acaso el espejo de la Ira.
Alzas los ojos y la miras. Una
memoria de algo que fue tuyo empieza
y se apaga. La pálida cabeza
bajas y sigues caminando triste,
sin recordar el verso que escribiste:
Y su epitafio la sangrienta luna.
a um velho poeta
Caminhas pelo campo de Castela
e quase não o vês. Um intrincado
versículo de João é teu cuidado
e mal percebes a luz amarela
do pôr do sol. A vaga luz delira
e nos confins do Leste se dilata
essa lua de escárnio e de escarlata
que talvez seja o espelho da Ira.
O olhar elevas e a contemplas. Uma
memória de algo que foi teu começa
e se dissipa. A pálida cabeça
curvas e segues caminhando triste,
sem recordar o verso que escreveste:
seu epitáfio a sangrenta lua.
BORGES, Jorge Luis. "a un viejo poeta" / "a um velho poeta". In:_____. O fazedor (1960). Trad. de Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
Caminas por el campo de Castilla
y casi no lo ves. Un intrincado
versículo de Juan es tu cuidado
y apenas reparaste en la amarilla
puesta del sol. La vaga luz delira
y en el confín del Este se dilata
esa luna de escarnio y de escarlata
que es acaso el espejo de la Ira.
Alzas los ojos y la miras. Una
memoria de algo que fue tuyo empieza
y se apaga. La pálida cabeza
bajas y sigues caminando triste,
sin recordar el verso que escribiste:
Y su epitafio la sangrienta luna.
a um velho poeta
Caminhas pelo campo de Castela
e quase não o vês. Um intrincado
versículo de João é teu cuidado
e mal percebes a luz amarela
do pôr do sol. A vaga luz delira
e nos confins do Leste se dilata
essa lua de escárnio e de escarlata
que talvez seja o espelho da Ira.
O olhar elevas e a contemplas. Uma
memória de algo que foi teu começa
e se dissipa. A pálida cabeça
curvas e segues caminhando triste,
sem recordar o verso que escreveste:
seu epitáfio a sangrenta lua.
BORGES, Jorge Luis. "a un viejo poeta" / "a um velho poeta". In:_____. O fazedor (1960). Trad. de Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
sábado, 16 de junho de 2018
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