sábado, 16 de junho de 2018

Pense Como um Freak

Pense como um freak – Stephen Dubner

CAPÍTULO 1


Que significa pensar como um Freak?

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Se nos perguntassem como nos comportaríamos em uma situação opondo uma vantagem pessoal ao bem geral, a maioria de nós não seria capaz de admitir a opção pela vantagem pessoal. A história mostra claramente, contudo, que a maioria das pessoas coloca os próprios interesses à frente dos interesses alheios, seja por temperamento ou formação. O que não faz delas pessoas ruins, apenas humanas.


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Chamou-nos a atenção o fato de ter surgido nos últimos anos a ideia de que existe uma maneira “certa” de equacionar a solução de determinado problema e também, é claro, uma maneira “errada”. O que inevitavelmente leva a muito bate-boca — e, infelizmente, a uma enorme quantidade de problemas sem solução. Será possível melhorar essa situação? Esperamos que sim. Gostaríamos de enterrar a ideia de que existe uma maneira certa e outra errada, um jeito inteligente e outro absurdo, uma tarja azul e uma vermelha. No mundo moderno, precisamos todos pensar de maneira um pouco mais produtiva, criativa e racional; pensar sob um ângulo diferente, com outros músculos, outras expectativas; e não com medo nem favoritismo, nem otimismo cego nem ceticismo amargo. Precisamos pensar... bem, como um Freak.


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O incrivelmente talentoso George Bernard Shaw — escritor de primeira linha e um dos fundadores da London School of Economics — constatou esse déficit de pensamento muitos anos atrás. “Poucas pessoas pensam mais de duas ou três vezes por ano”, teria dito. “E eu ganhei fama internacional pensando uma ou duas vezes por semana.”


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CAPÍTULO 2


As três palavras mais difíceis da língua inglesa 

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“Previsão”, gostava de dizer Niels Bohr, “é muito difícil, especialmente tratando-se do futuro.”


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O “algoritmo de extrapolação” citado por Tetlock é simplesmente um computador programado para prever “nenhuma mudança na atual situação”. O que, se pensarmos bem, é o jeito que um computador tem de dizer “Não sei”.
Um estudo semelhante promovido por uma empresa chamada CXO Advisory Group abrangeu mais de 6 mil previsões de especialistas do mercado de ações ao longo de vários anos. A taxa média de precisão chegou a 47,4%. Mais uma vez, o macaco atirador de dardos provavelmente teria tido desempenho equivalente — e a um custo muito menor, considerando-se a remuneração envolvida.


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“Apesar de passarem mais tempo consigo mesmas que ninguém, as pessoas muitas vezes têm uma percepção surpreendentemente pobre das suas habilidades e capacidades.” Um exemplo clássico: convidados a avaliar sua habilidade ao volante, cerca de 80% dos entrevistados se consideraram melhores que a média dos motoristas.
Mas digamos que você de fato seja excelente em algo, um autêntico mestre no seu terreno de atividade, como Thomas Sargent. Isso significa que também tenha maior probabilidade de se destacar em outra atividade?
É considerável o número de pesquisas que responde que não. O ponto a ser lembrado aqui é simples, mas forte: não é porque você é muito bom em alguma coisa que será bom em tudo. Infelizmente, esse fato é ignorado o tempo todo por aqueles que cultivam — respire fundo — o ultracrepidanismo, o “hábito de dar opiniões e conselhos em questões alheias ao seu conhecimento ou competência”.


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Lembre-se do jogador de futebol que ia cobrar o pênalti da sua vida. Chutar no centro oferece mais chances de sucesso, mas chutar em um dos cantos é menos arriscado para sua reputação. E é portanto o que ele faz. Toda vez que fingimos saber algo, estamos fazendo a mesma coisa: protegendo nossa reputação, em vez de promover o bem coletivo. Ninguém quer parecer burro, ou pelo menos ficar para trás, reconhecendo que não tem uma resposta. Os incentivos para fingir são simplesmente fortes demais.
Os incentivos também explicam por que tantas pessoas se dispõem a prever o futuro. Uma enorme recompensa estará à espera de quem fizer uma grande e audaciosa previsão que se confirme. Se você disser que o mercado de ações vai triplicar em doze meses e isto de fato acontecer, você será festejado durante anos (e muito bem remunerado por futuras previsões). Mas o que acontece se o mercado, pelo contrário, despencar? Nenhum problema. Sua previsão já terá sido esquecida. Como quase ninguém tem incentivos fortes para controlar as previsões furadas dos outros, não custa quase nada fingir que você sabe o que acontecerá no futuro.


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A chave do aprendizado é o feedback.


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Da próxima vez que você se deparar com uma pergunta cuja resposta possa apenas fingir saber, vá em frente e diga “Não sei” — logo acrescentando, claro, “mas talvez possa descobrir”. E empenhe-se o quanto puder nesse sentido. Talvez se surpreenda com a receptividade das pessoas a sua confissão, especialmente quando aparecer com a boa resposta um dia ou uma semana depois.


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CAPÍTULO 3


Qual é o seu problema?


Se é preciso muita coragem para reconhecer que você não tem todas as respostas, imagine como não será difícil admitir que sequer sabe qual é a boa pergunta. Mas o fato é que, se fizer a pergunta errada, com quase toda certeza receberá a resposta errada.


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